Volta a fita

Palavras e expressões marcam uma época. O broto surgido nos anos 1950 sobreviveu mais de uma década e virou mina nos tempos atuais. Mas, vez ou outra, uma delas resolve voltar à ativa, leve e faceira. É ou não é “uma brasa, mora?”

Por Mara Magaña | Adaptação web Tayla Carolina

Firme na paçoca? Então vamos levar um lero. Chegar perto de um jovem e usar essas expressões, hoje, é certeza de ser considerado um mocorongo. Mas há pouco tempo quem não usava essas palavras é que era considerado por fora. A língua é viva, dinâmica, e o que hoje é “daora” amanhã é descartável.

expressões que sobrevivem ao tempo, como “acabar em pizza”, muito usada até hoje, graças aos políticos. Mas a história é bem interessante: conta-se que o termo surgiu em uma reunião dos dirigentes do Palestra Itália, hoje Palmeiras, clube de futebol de São Paulo fundado por imigrantes italianos.

As discussões foram acirradas e os ânimos exaltaram-se, em uma gritaria bem à moda italiana. Os participantes só não foram para as vias de fato porque houve a intervenção da turma do deixa disso. Com o sucesso dos diplomatas, acabaram todos indo ao bairro do Brás e celebraram as pazes comendo uma deliciosa pizza.

E a própria palavra que está na boca de todos tem a sua origem, explica o professor de Português Ari Riboldi: “Pizzo em italiano é canto, o pedaço da ponta da massa do pão”, afirma. Essas e outras histórias permeiam o mundo das palavras. E quem dá conta disso é a etimologia.

As palavras, assim como as línguas, sofrem ciclos semelhantes ao dos seres vivos: nascem, quando uma pessoa ou comunidade cria uma nova palavra, crescem, quando esta palavra é difundida e passa a ser dicionarizada, reproduzem-se, quando começam a dar origem a outras palavras, e muitas vezes morrem, quando se tornam tão ultrapassadas que as pessoas abandonam o seu uso.

A etimologia, portanto, emprega esforços em estudar todos esses aspectos da língua e é indispensável para o seu conhecimento. A adolescente Marina Affonso acha engraçado ouvir algumas expressões que seu pai ainda usa, como “xispa”. “Agora entendo que é pra eu vazar, mas quando era menor ficava boiando”.

Xispa é uma expressão nascida e muito usada nos anos 1950, que sobreviveu um bom tempo de boca em boca, de pai para filho, de avô para neto. “Meu pai disse que ouvia isso do seu avô, porque na época dele era ‘se manda’ ou ‘sai fora’, mais ou menos como agora.

Mas ele conta que ouviu tanto ‘xispa’ na vida, que acabou grudada nele”, diz. Há outras expressões engraçadas que vez ou outra ouve-se aqui e ali, como: “fala mais que o homem da cobra”, quando alguém nunca para de falar, ou “vamos tomar uns birinaites”, que é o convite para alguns drinques.

Outras que o tempo não enterra – afinal tem sempre uma avó ou uma tia com elas na ponta da língua. “Vá catar coquinho” é uma dessas expressões deliciosas que não deviam morrer nunca. Muito mais engraçada e educada do que mandar o interlocutor àquele lugar.

 

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