Valorizar as diferenças: Reflexão sobre desigualdade

Reflexões destinadas a professores de educação infantil

Texto: por Mary Rangel, Jéssica do Nascimento Rodrigues, Marcio Caetano e Maximiano Coutinho | Fotos: Divulgação | Adaptação Web: Rodrigo Sodré

A fase de desenvolvimento das crianças nesta etapa da vida é especialmente favorável à aprendizagens, inclusive de novos códigos, como os de língua estrangeira e os de cânticos e instrumentos musicais. Da mesma forma, são assimilados, com possibilidades de preservação, consolidação e permanência ao longo da vida, hábitos, atitudes e valores que auxiliam a convivência e a inclusão social.

Além dessa condição, favorável à compreensão das diferenças, as crianças têm expressões espontâneas de afeto e de vivências em grupo, nas atividades de classe, nas brincadeiras, nos jogos, nas atividades de recreação e danças.

Reafirma-se e sublinha-se, então, que os professores que atuam em todos os níveis, da educação infantil à superior, são formadores de pessoas que atuarão na sociedade, desejando-se que estabeleçam relações positivas, acolhedoras: relações que favoreçam a paz e a união entre pessoas e povos. As reflexões que se apresentam neste artigo são destinadas a esses mestres.

Conviver é estar junto, é fazer laços, ter afeto pelas pessoas com as quais se convive. As crianças têm uma disposição natural para conviver, estabelecer afetos, brincar, conversar, divertirem-se junto às outras. Assim, fazem parte do desenvolvimento infantil e, consequentemente, da docência nesse nível, os valores de solidariedade, de colaboração mútua, de acolhimento e de sorrisos que aproximam, refletindo num ambiente bom, construtivo.

Desse modo, as pessoas “diferentes”, seja pela cor da pele, seja por suas condições de locomoção ou movimento, seja por serem surdas, ou cegas, ou cadeirantes, poderão ser acolhidas pelas crianças e, de modo geral, pelo ambiente da escola.

Se assim não for, os “diferentes” poderão se sentir desiguais, por não corresponderem a modelos ou padrões tradicionalmente aceitos como “normais”. E por serem “diferentes” e, por isso, considerados estranhos, porque não correspondem a padrões considerados “normais”, sua proximidade pode causar resistências e, por isso, podem ser colocados à margem dos espaços (ambientes, contextos, relações) reservados aos demais, que não causam estranhamento.

Decorrem, então, de modelagens preconcebidas, as categorias e classificações atribuídas aos “estranhos”, porque essas classificações reduzem a “ameaça” daquilo e de quem se conhece pouco, ou não se deseja conhecer.

Nessa mesma perspectiva, formam-se as “representações do outro”, que também, num movimento reflexo, reforçam nesse “outro” as suas autorrepresentações, ou seja, as representações sociais também poderão ter uma influência expressiva sobre as representações que cada pessoa forma sobre si mesma, ou seja, sobre as autorrepresentações.

Sentir-se “desigual” pode ser um modo de ver-se menor, comparativamente aos demais, e aceitar, nessa comparação, modelos e referências de superioridade e normalidade que justificam um autoconceito inferior.

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