Transformando aulas monótomas com o Batman

Utilizando a HQ O Que Aconteceu com o Cavaleiro das Trevas, aulas monótonas podem transformar-se em uma verdadeira aventura, e os alunos aprendem conteúdo com qualidade

Wagner Williams Ávlis | Adaptação web Renê Saba

Há vinte anos, uma aula de gramática no ensino básico era tão temida ou rechaçada quanto qualquer das ciências exatas. Língua Portuguesa era sinônimo de “decoreba”, regras herméticas, vocabulário rebuscado, caligrafia bonita, leitura chata (porque obrigatória) da literatura clássica. As coisas foram mudando para melhor depois dos Parâmetros Curriculares Nacionais, com as Diretrizes Curriculares Nacionais, ambos documentos do Ministério da Educação, que, aliás, estão sofrendo mudanças. E além, é claro, da imensa contribuição das pesquisas em Linguística.

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Hoje uma aula de português é mais atraente porque não trabalha mais no abstrato ou no conceitual; ela agora lida com a DEMONSTRAÇÃO EMPÍRICA da gramática e com o experimento do idioma que se materializa nos gestos, na fala, na escrita, no gráfico, nos números, em suma, nos textos, material que pode ser consultado, conferido, sentido, visto, manipulado, feito e refeito pelos alunos.

Cabe aqui um parêntese sobre por que as disciplinas das ciências exatas, sobretudo as matemáticas, ainda são bastante rejeitadas, por mais que haja esforço de um ou outro professor em torná-las atrativas. Tudo se resume ao método, e muitas vezes o método depende dos recursos, que, por sua vez, dependem de um oceano de coisas que estão a anos-luz do profissional da educação.  Nossos professores de química, por exemplo, ainda desenham cadeias de carbono na lousa e dizem: “As moléculas de qualquer composto orgânico que são formadas pelo conjunto de todos os átomos de carbono e heteroátomos se dão por quatro critérios: o fechamento da cadeia, a disposição dos átomos, os tipos de ligações e a presença de heteroátomos”. A partir de então, tudo se fará por meio de desenho e conceitos abstratos. Desde quando química é uma atividade abstrata? Nunca foi, mesmo quando era alquimia. Tudo se resume ao método,  porém, algumas vezes, o método depende do professor.

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São os youtubers que fazem agora o que muitos professores não fazem em aula, e isso é preocupante, posto que põe em xeque a prática docente e até a discussão se, daqui a algumas décadas, ter um professor em sala será mesmo necessário.

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Mas, dentro das tendências do ensino de língua atual, uma aula de gramática pode ser atraente usando histórias em quadrinhos, sem que o estudante odeie estar na sala (obrigado a tal) e ao fim do ano fique com a farpa do “pra que droga tive de decorar o que é um pronome ou o saco de um adjunto adnominal?”.

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A proposta dessa matéria é expor uma curiosidade, a de como usar uma HQ em uma aula de gramática e com isso atingir três objetivos em um só ato:

  • Mostrar que quadrinhos é uma expressão de arte respeitável;
  • Formar novas gerações de leitores de HQs;
  • Ofertar uma aula atrativa

A obra analisada é a “O que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?” de NEIL GAIMAN e ANDY KUBERT, aqui, recortando duas páginas das partes 1 e 2, uma explanação de duas horas-aula em uma turma de 1º ano médio, mas que na verdade poderia ser ministrada a qualquer série ou preparatório para vestibular, porque seu modelo é facilmente executável em todos os anos com seus respectivos conteúdos.  Fiquemos com estes trechos (imagem 1). Como é  trecho,  convém situá-lo no  conhecimento prévio.  É necessário dizer que O que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? é um conto alternativo (isto é, não é uma história oficial na cronologia do personagem) no qual Batman experimenta o estado de morte (sim, Batman morrêêêu!), os personagens mais recorrentes de Gotham City se reúnem para prestar-lhe homenagens fúnebres de corpo presente, cada qual contando a sua versão de quão provável o Homem-Morcego veio a falecer, tendo, como local do funeral, o Beco do Crime, lugar onde o super-herói nasceu.

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa – Ed.70