Entrevista com Aline Fernanda sobre letramento

Mestra em Educação e Linguagem, Aline Fernanda defende o respeito à diversidade sociocultural da criança e enfatiza: não há um só método para alfabetizar

Por Mara Magaña | Adaptação web Tayla Carolina

Ela é aficionada pela leitura. Jovem, aos 34 anos acumula títulos – é mestra em Educação e Linguagem pela USP, especialista em Docência no Ensino Superior, pesquisadora do Grupo DiCLiME-USP (Diversidade Cultural, Linguagem, Mídia e Educação) e professora universitária.

Aline Fernanda Camargo Sampaio, natural de Botucatu, no interior de São Paulo, mas criada em Sorocaba, onde reside até hoje, sabia o que queria desde muito pequena. Livros sempre fizeram parte da sua vida. O pai fazia questão de ler para ela todo dia, antes de dormir. E, aos dois anos, Aline mostrou ao que veio.

Em um passeio com a mãe, avistou um símbolo de um supermercado e saiu-se com esta: “Olha mãe, ali está o Supermercado Vem Cá”, que, entre surpresa e orgulhosa, disse: “Nossa, você já sabe ler?”. A especialista em epilinguística que desde criança escrevia todos os dias, sabe, hoje, que aquilo foi um exemplo de decodificação, mas reflete:

“eu já mostrava ali, nas minhas primeiras curiosidades com as palavras, o contato com o letramento”.

Leitora voraz e assídua de gibis, principalmente os do Maurício de Souza, e também da Coleção Vagalume, participou de vários concursos de redação na cidade, venceu alguns e, com a morte do avô paterno, herdou sua coleção de Machado de Assis. Um caminho sem volta que a catapultou para o mundo das letras.

Como se deu sua aproximação com o processo de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa?

Foi através do meu contato com a professora doutora Idméa Simeghini-Siqueira, quando eu fazia algumas disciplinas na Escola de Educação, por volta de 2006. Isso acabou despertando meu interesse na área e, como na sequência fui fazer estágio, ao entrevistar alunos e professores senti um desejo muito forte de fazer pesquisas nessa área.

Você começou a trabalhar direto com pesquisa?

Tive interesse, mas o que me chamou a atenção nesse contato com a escola pública, o que incomodou foi o desempenho insatisfatório dos alunos no que diz respeito à leitura e escrita. Esse é o grande desafio do Brasil mesmo.

Nessa época, eu criei uma oficina de leitura nessa escola, para trabalhar com textos informativos, visando justamente a atender alunos do Ensino Fundamental 2, oferecendo algumas atividades para que eles pudessem buscar estratégias de como ler um texto informativo.

Um dos principais objetivos desse projeto era levar ao aluno o prazer da descoberta, tornando a leitura uma ação lúdica, uma espécie de um jogo, em que o leitor construiria relações entre o material escrito e outras áreas do conhecimento.

 

Para ler essa entrevista na íntegra, compre a revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa – Ed. 70