Explorando o texto: não seja um professor reprodutor

Explore técnicas em sala de aula e prenda a atenção dos alunos

Texto: Roberto Sarmento Lima | Fotos: Divulgação | Adaptação Web: Rodrigo Sodré

O estudo gramatical não se pode dar friamente, limitado a nomenclaturas e definições. É preciso, acima de tudo, dar atenção à semântica do emprego efetivo de termos e expressões e disso tudo tirar uma lição de interpretação.

O professor de língua portuguesa não deve ser mero reprodutor das páginas de uma gramática, porque, se assim for o seu trabalho diário, é melhor que o aluno fique com a gramática e dispense o professor. É muito mais negócio. Para que um professor reprodutor, repetindo enunciados, exemplos que constam de um livro tais como aparecem por lá? Um ensino que se queira chamar eficiente pede, ao contrário disso, que o professor seja competente no que faz e, além de tudo (ou seria “acima de tudo”?), criativo, o que é toda a diferença. Mas não é o que vem ocorrendo, infelizmente, nas escolas deste imenso condomínio que é o Brasil. O que vejo, e sei, quase como uma regra geral, é que boa parte dos professores se deixa escravizar — certamente por comodismo, ah, doce escravidão! — a livros, manuais, planos de aula feitos por outros mas não por eles mesmos, aqueles que vão para a sala de aula, os que estão ali, todo dia, enfrentando diuturnamente o ofício.

Sugiro, aqui, tomar um texto e explorá-lo em seus conteúdos gramaticais, fugindo, assim, da linearidade da gramática, tendo o professor de adaptar a escolha do texto, medindo o seu grau de dificuldade, à série escolar em que atua. Conteúdos — que o texto selecionado requer — devem necessariamente se cruzar e interceptar, vindos da morfologia, da sintaxe, mesmo da ortografia. Nada de ficar preso àquela costumeira linha reta: primeiro vamos ver isso, depois aquilo, seguindo fielmente a ordem dos capítulos da gramática. O professor deve, sim, apoiando-se em um texto, mostrar por que certos efeitos de construção — que se dão por meio de palavras e expressões postas à mostra, ali, pelo autor do texto, é claro — aparecem da forma como aparecem. Assim, o aluno vai sentir a utilidade (e o prazer, por que não?) de aprender, compreender determinados usos linguísticos, determinados empregos de linguagem, a razão da sua classificação sintática e nomenclatura.

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