Educação, sustentabilidade e reciclagem na escola

Precisamos romper com velhos paradigmas sociais e acadêmicos da linearidade do conhecimento, da fragmentação do saber, em busca de um planejamento didático que viabilize o diálogo, a cooperação e a troca entre Educação e Sustentabilidade, aplicados a novas descobertas e formas de aprender

A exigência por comportamentos, atitudes sustentáveis e valores éticos nos espaços sociais, permite repensar a questão da sustentabilidade na Educação em seu contexto ampliado, que envolve uma perspectiva ampliada de mundo, clareza da finalidade do ato educativo, posição política e concepção de homem e mundo. Vimos que educar para a sustentabilidade é uma proposta desafiadora, agora é uma boa oportunidade de as escolas cuidarem desse aspecto, pois implica em criar condições para que as iniciativas educacionais sejam estratégicas na realização das mudanças necessárias, motivando os alunos a agirem com responsabilidade em direção às metas de sustentabilidade e responsabilidade social; contribuindo na formação de sujeitos críticos, responsáveis e ativos na sociedade em que vivemos.

 


Mudar a forma de pensar
Sabemos que é preciso mudar e transformar nossa forma de pensar, muitas vezes pautada em uma educação formal, tradicional minimizando o ensino somente em lousa e pincel. Precisamos romper com velhos paradigmas sociais e acadêmicos da linearidade do conhecimento, da fragmentação do saber em busca de um planejamento didático que viabilize o diálogo, a cooperação e a troca entre Educação e Sustentabilidade, aplicados a novas descobertas e formas de aprender. Utilizando materiais e metodologias diferenciadas para ampliar o saber fazer saber, fazendo com que o conhecimento se alie com a prática em um ambiente de aprendizagem. Refletir, por exemplo, sobre o lixo orgânico é um meio de trabalhar conceitos, valores, atitudes, posturas e éticas de grande importância, que envolve a realidade do dia a dia de cada um.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (2001), a educação ambiental possibilitará desenvolver o conhecimento vivido no cotidiano de cada aluno, relacionando conteúdos e
práticas na preservação do meio ambiente; e oportunizará mudança de atitudes, hábitos e valores, pois aquele aluno que antes jogava o lixo fora da lixeira, após entender o que é cuidar da natureza e do ambiente em que vive, ele mudará seu comportamento. Portanto, a inserção curricular da educação ambiental no Projeto Político-Pedagógico das instituições de ensino é imprescindível, de forma interdisciplinar para promover a construção do conhecimento com criticidade, ética e transformação de valores que reorientem atitudes para a construção de sociedades sustentáveis.

É a preservação da vida humana, que também inclui a preservação do bem comum e da natureza do ser humano. Nos dias de hoje, é preciso que cada indivíduo tenha a consciência de que é necessário se preocupar e cuidar do meio ambiente no qual se vive, para que haja a prática de uma sustentabilidade concreta, aperfeiçoando assim a percepção crítica acerca dos problemas e soluções ambientais.

Reduzir, Reutilizar e Reciclar é compreender a importância da reciclagem para o futuro das novas gerações, repensando no cotidiano escolar a necessidade do consumo, buscando sempre novas  utilidades aos objetos, transformando e mudando para melhor o mundo em que vivemos; um trabalho de conscientização possível a partir da integração entre educação, sustentabilidade e reciclagem. O educador tem a função de mediador na construção de referenciais ambientais e deve saber usá-los como instrumentos para o desenvolvimento de uma prática social centrada no conceito da natureza.

No entanto, o Ipea destaca que um grande volume de material orgânico ainda é desperdiçado ao ser encaminhado diretamente aos aterros e lixões, e ele poderia passar por tratamento para gerar energia. O estudo aponta ainda que esta ação gera despesas que poderiam ser evitadas caso o material orgânico fosse separado e encaminhado para um tratamento específico. Há uma necessidade urgente em nosso país de evidenciar a importância da educação ambiental em todos os ambientes, escolares ou não escolares, não deixando nenhum setor de fora. O desafio que se coloca é de elaborar uma educação ambiental que seja crítica e inovadora em dois níveis: formal e não formal. Segundo Pedro Jacobi (1997), a noção de sustentabilidade implica, portanto, uma inter-relação necessária de justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a ruptura com o atual padrão de desenvolvimento.

É importante assinalar que a Educação Ambiental está muito distante de alcançar todas as salas de aulas das escolas brasileiras. Portanto, meio ambiente é direito fundamental, inerente à condição humana e deveria ser tratado de maneira responsável e transparente, para que todo cidadão atuasse de forma ativa em defesa de uma sociedade sustentável, que representa a possibilidade de mudanças sociopolíticas que não comprometam os sistemas ecológicos e sociais que sustentam as comunidades. Assim, possibilitando o crescimento da consciência ambiental, expandindo a possibilidade de a população participar em um nível mais alto no processo decisório, como uma forma de fortalecer sua responsabilidade na fiscalização e no controle dos agentes de degradação ambiental.

É a preparação do nosso aluno para ser um sujeito crítico, transformador e atuante na sociedade em que vive. É, acima de tudo, um ato político, que desenvolve em nossos alunos uma consciência local e planetária; e principalmente, a transformação de atitudes. “O principal eixo de atuação deve buscar, acima de tudo, a solidariedade, a igualdade e o respeito à diferença por meio de formas democráticas de atuação baseadas em práticas interativas e dialógicas” (JACOBI, 2005, p. 243).

Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa Ed. 64