O exemplo de Florianópolis

Com uma gerente de educação inclusiva, Rosângela Machado, atuante da Secretaria de Educação, Florianópolis é o melhor exemplo de município alinhado com a política que visa garantir o direito de toda criança à educação na rede pública de ensino

Trata-se de uma experiência bem-sucedida: desde 2001, todas as escolas de educação infantil da capital catarinense contam com uma
política de educação especial nas perspectivas da educação inclusiva, de acordo com diretrizes da Secretaria de Educação do município. Há um programa desenvolvido pela secretaria que prevê a formação de professores de educação especial para o atendimento especializado aos alunos.

Outra prática adotada é a constituição de grupos de estudo, de trabalho e de assessoramento para o aperfeiçoamento das práticas de educação especial. Essa política visa a garantir princípios fundamentais, como o direito à educação a toda criança na escola regular e o direito à acessibilidade, com oferta de recursos, segundo as necessidades específicas de cada criança — assim, é feito um estudo de caso sobre cada criança com deficiência para a identificação das suas necessidades, potencialidades e dificuldades. A partir desse estudo, é elaborado um plano educacional individualizado, que inclui o atendimento ao aluno, produção de material acessível, acompanhamento do uso desse material na sala de aula e orientação ao professor e à família. O público-alvo dessas ações são crianças com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento, além de altas habilidades e superdotação, matriculadas nas unidades de educação infantil da rede pública municipal.

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Entre os benefícios para os alunos, há o convívio entre todas as crianças, independentemente de terem ou não deficiências. Outra questão importante é terem, desde os primeiros anos de vida, suas necessidades identificadas e atendidas. Desde que o programa começou, há mais de 15 anos, os alunos com deficiência passaram a ser inseridos na rede regular de ensino. Com o passar do tempo, o método foi sendo aprimorado. Hoje, são mais de 500 estudantes que frequentam a escola regular e recebem o atendimento especializado em salas multimeios. São 22 polos, com professores especializados em educação especial que estão em constante diálogo com o educador da sala regular. Os materiais também são adaptados previamente. Nos casos em que o estudante necessita de auxílio para locomoção, alimentação e higiene, um auxiliar é deslocado para dentro de sala.

O sucesso do empreendimento em Florianópolis demonstra que a educação inclusiva é possível. “A educação infantil é a primeira etapa de uma criança para uma educação escolar”, destaca Rosângela Machado, “por isso mesmo, ela deve receber toda a atenção já nos primeiros anos de vida, além de conviver desde cedo com as demais crianças sem deficiência.” O exemplo de Florianópolis, hoje referência no assunto, é inspirador para profissionais do ensino e redes de escolas de todo o Brasil.

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Fonte: MEC | Revista Língua Portuguesa Ed. 67