Clubes de leitura revelam que o brasileiro gosta de ler

Os locais se espalham pelo País e mostram uma face pouco conhecida das estatísticas: o brasileiro gosta de ler

Por Redação | Adaptação web Renê Saba

Nem Castro Alves poderia imaginar que seus versos “Oh! bendito o que semeia/ Livros, livros, à mancheia/ E manda o povo pensar…” fossem virar um mantra para boa parte dos jovens brasileiros do século XXI. E, apesar de o Brasil ainda escorregar nos rankings de leitores, uma nova mania vem se espalhando pelo País: os clubes de leituras, sejam eles por assinatura, sejam em reuniões presenciais. A recém-formada em Letras Maria Lúcia Tavares é uma das adeptas. “Minha mãe me contou que foi assinante de um Clube do Livro e depois do Círculo do Livro (ver quadro), lá nos anos 1970. E que boa parte de sua biblioteca, que é enorme, veio dessas assinaturas. Parece que entregavam uma revista mensalmente, e aí você escolhia, em determinado menu, aquelas que queria. Ela, uma devoradora de livros, disse que ia à falência”, lembra Maria Lúcia. O fato é que, quando a professora conheceu a TAG – Experiências Literárias (ver quadro), não pensou duas vezes. “Dei uma olhada no que ofereciam, com uma proposta um pouco diferente do clube da minha mãe. Aqui você não tem escolha, recebe o livro que eles estão lançando, e o legal é que pode ser uma boa surpresa ou não. Por enquanto, gostei de tudo e, inclusive, já trabalhei alguns textos desses livros em aula”, celebra a professora, que tem a assinatura há um ano.

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Já a revisora cearense Técia Gomes encantou-se com o coletivo Leia Mulheres, que promove discussões sobre a literatura escrita por autoras em cerca de 40 cidades brasileiras, e pelo aplicativo  MEETUP¹, o qual  concentra diversos clubes literários divididos por cidades do mundo todo. O coletivo, presente em 20 estados brasileiros, foi fundado por três mulheres e hoje conta com aproximadamente 100 mediadoras em todo o País.

O PAÍS RENDE-SE ÀS LETRAS

Em todos os estados há iniciativas que estão vendo aumentar o número de leitores bem além de sua perspectiva inicial – há dezenas espalhadas por bibliotecas, livrarias e outras instituições culturais. Em São Paulo, um dos grupos mais conhecidos e ativos é o da Biblioteca Mário de Andrade, no centro, que é frequentado maciçamente por mulheres. Um dado que bate com uma pesquisa interna da editora Companhia das Letras, a imensa maioria dos frequentadores de grupos do tipo é de mulheres (76,7%) de 30 a 59 anos (38,7%). Como era de se esperar, os membros desses clubes são leitores vorazes (40,6% consomem de quatro a seis títulos por trimestre, e 36,4% dedicam de uma a duas horas por dia aos livros).

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O grupo da Mário foi criado em 2013 e é frequentado assiduamente por mais de 30 pessoas. A informação é da coordenadora e produtora cultural Natame Diniz, de 26 anos. A cada mês, uma obra é escolhida para ser lida ao longo das quatro semanas e comentada no encontro seguinte, sempre na segunda quarta- -feira de cada mês.

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Em Minas Gerais, o Clube do Livro BH, criado pela blogueira Leticia Pimenta, é outro que vem arrastando centenas de pessoas para seus encontros, que acontecem bimestralmente. “A ideia é acabar com essa concepção de que ler é solitário”, diz. No Rio de Janeiro, o Clube do Livro Saraiva, criado pela jornalista e autora Frini Georgakopoulos, reúne-se mensalmente para debater os mais variados temas. Em Fortaleza (CE), o coletivo Clube do Quadrinho Rebirth é especializado em HQs.

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