Breve reflexão sobre avaliação: um compromisso ético

Ao entendermos a educação como formação do humano, como um acontecimento ético, supõe-se uma concepção da tarefa pedagógica e da avaliação como radical novidade. Não se trata de compreender a escola somente como um espaço de aprendizagem, mas também, como um espaço de desenvolvimento e de formação. Nesse sentido, devemos entender o conhecimento como parte integrante da formação humana, o que inclui a dimensão ética da aquisição, a distribuição e o uso do conhecimento

Por Aline Fernanda Camargo Sampaio* | Adaptação web Tayla Carolina


Quando se pensa em mudança na avaliação dos processos de aprendizagem, exige-se uma concepção de aluno como um ser crítico, criativo e participativo, com autonomia e capacidade de tomar decisões. Exige, também, uma concepção de ensino que privilegie a participação, o diálogo, a autonomia, a reflexão tanto por parte dos professores quanto dos alunos.

Nessa perspectiva, o erro é visto como propiciador de aprendizagens, e as dúvidas dos alunos altamente significativas e reveladoras de um envolvimento e de um exercício intelectuais.

Sob essa ótica, a avaliação deixa de ser vista como algo fora do processo de ensino e aprendizagem, e passa a ser vista como propiciadora de aprendizagens, como parte integrante do currículo escolar e, consequentemente, do planejamento em todas as suas etapas.

De fato, ocorre uma confusão muito frequente nos diálogos e conversas com os docentes, alunos e responsáveis pelos alunos: avaliar aparece, muitas vezes, como sinônimo de medida, de atribuição de uma nota ou de um conceito.

 

→ Professor e aluno: uma relação delicada

Avaliação

De um lado, os professores consideram a avaliação uma atribuição desafiadora de seu trabalho em vários aspectos que podem causar temores: o julgamento; a decisão; até que ponto a avaliação enquanto quantificação pode interferir na autoridade e na disciplina da turma; o desinteresse dos alunos etc.

De outro, os temores dos alunos: a reprovação; a recuperação; a perda das férias; a chacota dos colegas; a repreensão social; a mancha no histórico escolar, dentre outros. Na realidade, avaliar não é medir — é, sim, aceitar o outro como ele se apresenta, é ter responsabilidade, compromisso com o outro e consigo mesmo, com uma nova perspectiva, com uma dimensão ética. Pressupõe uma relação dialógica, um agir em comunhão.

Ao agirmos pedagogicamente, agimos no mundo e com o mundo, interferimos nele e somos por ele influenciados. Desse modo, nossas ações têm consequências, e são elas que precisam ser vistas, pressentidas, analisadas, refletidas, enfim, avaliadas para que conscientemente possamos perguntar, projetando o futuro e construindo nossos sonhos.

 

Para ler esse artigo na íntegra, compre a revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa – Ed. 68

 

*Aline Fernanda Camargo Sampaio é Mestra em Educação e Linguagem pela USP, Especialista em Docência no Ensino Superior, Graduada e Licenciada em Letras/Português pela USP, Pesquisadora do Grupo DiCLiME-USP (Diversidade Cultural, Linguagem, Mídia e Educação) e Professora Universitária