Português e japonês

Para os japoneses, aprender línguas estrangeiras nunca foi uma tarefa fácil devido ao idioma japonês permanecer isolado sem consenso quanto a sua raiz e origem, não podendo ser comparado, portanto, a outras línguas devido à falta de semelhança e à inexistência de referenciais

Por Graziela Naclério Forte* e Lucila Yamashita** | Adaptação web Tayla Carolina

Com o português não é diferente, a distância entre os dois idiomas pode ser comparada à distância física entre Brasil e Japão. Apesar da pouca afinidade, existe uma ligação entre as duas línguas que muitos desconhecem. Aproximadamente 400 palavras de origem portuguesa foram adotadas pelo japonês, que em épocas de maior influência chegaram a ser algo em torno de 4 mil vocábulos, tais como:

botan (botão)
igirisu (inglês)
kappa (capa)
koppu (copo)
pan (pão)

A explicação é que Portugal e Japão estabeleceram o primeiro contato em 1542-1543, com a chegada dos portugueses à ilha de Kyushu; Inicialmente amistoso e frutífero, criaram um fluxo contínuo e direto de comércio, o qual se encerraria em meados do século XVII, com a expulsão dos portugueses das terras japonesas durante o período de
unificação, sob o comando do chefe militar Toyotomi Hideyoshi e a proibição do cristianismo.

Palavras como dochiriina-kirishitan (doutrina cristã), katekizumo (catequismo) e karidaade (caridade) foram encontradas em documentos revelando forte influência do Português e do latim nas escrituras cristãs em língua japonesa.

Parcerias comerciais e laços cultuais

Já Brasil e Japão historicamente mantêm fortes parcerias comerciais há pelo menos 100 anos, processo iniciado com a imigração, por volta dos anos 1900, e que perdura até os dias atuais com a entrada de investimentos de empresas japonesas em nosso país.

Em meados de 1990, grupos de brasileiros descendentes de japoneses foram para o Japão com a finalidade de trabalhar nas fábricas do país, os chamados decasséguis. A partir daí surgiram as comunidades de brasileiros, atualmente apoiadas por ambos os governos através da implantação de 45 escolas no Japão, do ensino fundamental e médio, que ministram aulas em língua portuguesa.

Enquanto a comunidade de brasileiros no Japão é bastante significativa, a comunidade japonesa no Brasil é considerada a maior fora do Japão; dessa maneira, acabamos promovendo laços culturais e intercâmbios nas artes, culinária e demais hábitos cotidianos.

Nesse processo de trocas, empréstimos lexicais ocorreram e palavras de origem japonesa foram incorporadas à língua portuguesa relativas à culinária, técnicas artísticas, práticas esportivas, roupas, pessoas, dentre outras categorias como iaquiçoba, sushi, sashimi, saquê, caraoquê, iquebana, aiquidô, caratê, jiu-jitsu, judô, sumô, quimono, camicase, decasségui, gueixa, samurai, xogum, biombo, haraquiri, iene, mangá e tsunami. Assim, o léxico e, por extensão, a cultura brasileira ficaram mais ricos.

 

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