A afetividade na formação docente

Entenda mais sobre a relação da afetividade no processo de aprendizagem

Texto: Marcos Messias da Silva Justiniano | Fotos: 123rf | Adaptação Web: Rodrigo Sodré

As legislações pertinentes à educação no Brasil contemplam a importância e indispensabilidade da afetividade nas relações educacionais, e determinam que uma educação de qualidade deve desenvolver as capacidades cognitivas, assim como as afetivas. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais, expressa-se a necessidade da transmissão de conteúdos conceituais e de conteúdos atitudinais, sendo que estes últimos permeiam todo o conhecimento escolar.

Ainda é possível verificar que ensinar e aprender atitudes requerem um posicionamento claro e consciente sobre o que, e como se ensina na escola. Os Parâmetros Curriculares Nacional afirmam que a aprendizagem de valores e atitudes é de natureza complexa e pouco explorada do ponto de vista pedagógico. Alerta para uma prática constante, coerente e sistemática, em que valores e atitudes sejam expressos no relacionamento entre as pessoas que fazem parte de todo o processo educacional.

O processo ensino-aprendizagem foi e tem sido objeto de estudo e observação por parte de pesquisadores. Como facilitar, favorecer, melhorar o processo de ensino é discutido por professores e estudiosos dessa área. Em uma sociedade na qual praticamente tudo se processa numa velocidade muito rápida, as pessoas ficam permanentemente apressadas e dificultam a formação de vínculos por onde passam. Mesmo assim, possuímos necessidades de pertencimento, amizade, amor, de estima e respeito que podem ser exploradas pelos agentes da educação. Proporcionar uma aprendizagem para a vida pode propiciar um conhecimento duradouro e eficaz. O professor que, de fato, se preocupa com o crescimento de seus alunos, fará da aprendizagem um processo prazeroso e inesquecível, e poderá contribuir para o desenvolvimento de homens e mulheres melhores. Preparar os professores para que em seu trabalho sejam levados em consideração o conhecimento dos alunos, suas questões afetivo-emocionais, suas habilidades e suas atitudes e valores, pode proporcionar um melhor sistema educacional e de ensino.

A falta de compreensão das individualidades, de amor e de carinho, a falta de empatia e de respeito constituem-se impedimentos da aprendizagem. Ratificar a importância das relações afetivas na relação professor-aluno e possibilitar este conhecimento durante a formação docente vão trazer contribuições para o entendimento e oferecerá possibilidades para tornar mais suave o caminho da educação.

O processo de aprendizagem será melhor realizado à medida que o professor faz de sua aula um momento interessante e significativo. A interdisciplinaridade, o uso de tecnologias, a criação de um espaço de desenvolvimento da aprendizagem inseridos em uma aula despertam interesse nos alunos e facilitam a apreensão dos conteúdos. Neste ponto, voltamos à contextualização, pois o conteúdo que se propõe ensinar deve estar ligado a outros conhecimentos, fazendo sentido e trazendo significado ao aluno. Bons professores dão significado aos seus ensinamentos e conduzem a pessoa com todas as suas dificuldades e habilidades a um nível mais elevado. Não basta ser um técnico excelente — é necessário que o profissional possua a sensibilidade de considerar as questões afetivo-emocionais, as atitudes, os valores, as relações, as dificuldades, os medos, as expectativas. Assim, provavelmente, este professor fará de sua aula um ambiente de aprendizagem e de troca de conhecimentos, levando seus alunos ao crescimento pessoal. Seguindo neste entendimento, torna-se necessário aprender a lidar com a dimensão afetiva como se aprende a lidar com outros aspectos de natureza cognitiva.

Faz-se necessário o aprofundamento de discussões sobre a afetividade na formação de professores, diante de sua notória importância — precisamos buscar entender em que momento da formação do professor as relações afetivas são tratadas e desenvolvidas visando a melhoria do trabalho docente e do processo ensino-aprendizagem; temos de saber se os currículos dos cursos de licenciatura e de docência contemplam a importância de uma formação afetiva dos professores; finalmente, entender em que momento a atenção afetiva foi perdida, se isso se deu na prática em sala de aula ou durante a formação, é um ponto relevante para o sucesso do processo ensino-aprendizagem.

 

Marcos Messias da Silva Justiniano é Palestrante/Docente/Psicólogo; Graduado em Psicologia pela Universidade Metodista de São Paulo; Pós-graduado em Docência no Ensino Superior.